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O admirável mundo dos buracos negros.

Foto do escritor: Vinicius Campos
Vinicius Campos
20 de dez. de 2022
6 min de leitura

Atualizado: 12 de jul. de 2023


Saudações caros leitores, hoje teremos uma jornada com uma temática inédita, que transitará entre conceitos de física, cosmologia, e a natureza e função dos buracos negros no universo. Eles são os objetos mais incríveis e complexos do cosmos, eles destroem e constroem galáxias, existem de todos os tamanhos, de microscópicos á ultra massivos, controlando tudo que está ao seu redor. A história de como o universo se organizou é a história dos buracos negros, eles são os verdadeiros grandes arquitetos do universo e sem eles, não estaríamos aqui. Mas para compreender os buracos negros precisamos entender a gravidade. A gravidade é o efeito que a massa dos objetos causa na distorção do tecido do espaço-tempo, atraindo os objetos para sua órbita. Exemplificando: para jogar uma bola para cima precisamos imprimir uma determinada força contra a gravidade da terra. O mesmo acontece com os foguetes, para sair da orbita da terra, precisa-se de uma velocidade mínima de 11km/s, isto se chama de velocidade de escape. A velocidade de escape é a velocidade mínima que um objetivo precisa ter para sair da zona de atração gravitacional gerada pela massa de um objeto. E os buracos negros são os objetos mais massivos do universo. Portanto sua velocidade de escape é maior que o limite de velocidade no universo de 300mil km/seg da luz. Ou seja, nada é capaz de escapar de um buraco negro, após atravessar o que se chama de horizonte de evento, que é o nome que se dá ao ponto sem volta de sua atração. Mister se mencionar que uma vez que o buraco negro não reflete a luz e sim a absorve eles são objetos literalmente invisíveis, pois enxergamos os objetos pela luz que eles refletem em nossa direção, e como eles não refletem a luz, e sim as absorvem, são invisíveis para nós. Mas como são formados os buracos negros? Não há uma única maneira de se formar um buraco negro, teoricamente qualquer objeto que seja comprimido a uma determinada densidade crítica pode se tornar um. Exemplificando: Se comprimirmos o Sol que tem 1 milhão de km de diâmetro, em um objeto de 3km de diâmetro teremos a densidade necessária para um buraco negro. O mesmo com o planeta terra, se comprimirmos o planeta em um objeto do tamanho de uma ervilha, teremos um buraco negro. Mas as formas mais comuns de se formar um buraco negro são através das Supernovas. As supernovas são eventos incrivelmente cataclísmicos, quando uma estrela supermassiva, com pelo menos 10x a massa do nosso sol, no fim de sua vida começa a fazer fusão nuclear de elementos cada vez mais pesados, neste processo gerando os elementos da tabela periódica que nos formam. Uma vez que a estrela funde elementos mais pesados ela sofre uma compressão, diminuindo seu diâmetro e aumentando sua densidade e temperatura, atingindo uma massa crítica que a faz, primeiramente implodir e depois explodir. Espalhando os elementos da vida pelo cosmos, o cálcio de seus ossos, o ferro e oxigênio no seu sangue e etc, foi formado em uma supernova, somos literalmente poeiras das estrelas. Esta súbita ignição de fusão nuclear chamada supernova, deixa algumas espécies de “cadáveres” para trás. Quanto maior a supernova mais perigoso é o “cadáver” deixado. Uma estrela massiva média geralmente deixa uma estrela de nêutrons como legado, mas este objeto receberá um artigo próprio sobre, posteriormente. As estrelas ultra massivas deixam um buraco negro pois sua explosão é tão forte que rasga o tecido do tempo-espaço formando um buraco negro. Em sua órbita, ficam os destroços orbitando o buraco até cair nele, formando um disco que se chama disco de acreção. Este disco conforme acelera e aquece começa a emitir raios-x e raios gama, e um brilho muito forte, maior que de milhões de estrelas combinadas. Este disco reluzente é visível para alguns telescópios sensíveis a outros espectros, além dos visíveis à luz. Existem buracos negros de diferentes tamanhos, dos quânticos, como os produzidos no acelerador de partículas do CERN, que evaporam quase instantaneamente, até aos ultras massivos, conhecidos como núcleos galácticos ativos, no centro das galáxias. Que podem ter 50 Bilhões de vezes a massa do sol, o sol tem a massa de 1,9 Nonilhões de Kg, multiplique este número por 50 Bilhões e terá a massa de um buraco negro ultra massivo. Teoricamente, não há um limite para o quanto um buraco negro pode crescer. Os buracos negros que são núcleos galácticos ativos, servem como centro gravitacional e dão a estabilidade e sustentabilidade para formação das galáxias. O núcleo galáctico ativo no centro da nossa galáxia, se chama Sagitarius A, e tem 4 Milhões de vezes a massa do nosso sol, e o diâmetro do nosso sistema solar. Não é dos maiores, mas é bem grande. Quando estes núcleos galácticos ativos engolem, gás, luas, planetas e estrelas seu disco de acresção emite uma forte radiação gama e seu brilho pode superar o brilho de galáxias inteiras, com milhões de estrelas. Este fenômeno se chama Quasar, e são os objetos mais brilhantes do universo, podendo brilhar mais que 140 trilhões de Sóis juntos. Os buracos negros são praticamente eternos, pois evaporam MUITO lentamente em um processo chamado radiação Hawking, em homenagem ao Stephen Hawking. Os buracos negros costumam se fundir durante as colisões de galáxias, formando buracos negros cada vez maiores, e quanto maior, mais devagar ele evapora. Ou seja, muito depois das estrelas se apagarem e os planetas morrerem, quando a escuridão vencer, os buracos negros estarão por aqui por muito tempo ainda. Os buracos negros são conhecidos por sua força destrutiva, mas estudos recentes apontam que eles possuem um lado criativo e vital para a evolução do cosmos, inclusive estando diretamente ligados a evolução das galáxias, de diversas maneiras. Eles são literalmente essenciais na coreografia do balé cósmico, suas funções vão muito além de sugar a matéria, eles podem ser descritos como os motores da mudança cósmica, influenciando na formação das estrelas nas galáxias. O trabalho das galáxias é formar estrelas, mas se formadas em demasia, pode ser toxica para formação da galáxia, pois isto pode exaurir os gases, matando a galáxia. Nesse sentido os buracos negros funcionam como uma espécie de termostato. Assim, como um termostato que aciona o aquecedor quando está frio, e aciona o ar-condicionado quando está quente, os buracos negros fazem o mesmo com as galáxias. Modulando assim, a formação das estrelas e redistribuindo os gases de forma mais homogenia, evitando regiões muito caóticas próximas ao corpo principal da galáxia, esta redistribuição dos gases ajuda muito na evolução da vida, pois a vida costuma florescer nas regiões mais periféricas e calmas da galáxia. Agindo como um mecanismo de controle cósmico. Outro fenômeno mister de se mencionar é a “fusão” dos buracos negros durante as colisões galácticas. Estas colisões são os maiores eventos no cosmos depois do Big bang, suas colisões formam literalmente ondas gravitacionais, iguais as dos oceanos na terra, só que ao invés de ondas de água, são ondas de espaço-tempo, além de emitir muita radiação gama, a forma mais poderosa de energia. Em determinadas condições de diferença de massa entre os buracos negros que vão colidir e seu anglo de colisão, o buraco negro já fundido pode ser ejetado do centro da galáxia numa velocidade de até 6 milhões de km/h devido as ondas gravitacionais assimétricas formadas na colisão. Disparando pelo cosmos como um disco quicando na superfície de um lago. E se você ainda não está maravilhado com as incríveis propriedades dos buracos negros, eis a cereja do bolo: eles também são máquinas do tempo! Pois o tempo e o espaço são formas diferentes da mesma coisa, se a gravidade é distorção do tecido do tempo-espaço gerado pela massa dos objetos, os buracos negros como objetos mais massivos do universo, geram uma enorme distorção no tecido espaço-temporal, esticando esse tecido, e quanto mais esticado, mais devagar o tempo passa nesse ponto. Ou seja, se você orbitar um buraco negro, quem estivar fora desse sistema, verá seu tempo passando mais rápido do que o de alguém próximo ao buraco negro. E estará no futuro em relação aos objetos que orbitavam o sistema. Concluindo, finalmente, os buracos negros são os objetos mais incríveis, complexos, e multifuncionais do universo. Existem teorias que afirmam que eles são portais para universos paralelos, mas nada foi comprovado ainda. O que sabemos é que eles são os verdadeiros grandes arquitetos do universo, sem eles não estaríamos aqui. Nossa geração tem muita sorte em ter acesso a este conhecimento e estas informações, para que pouco a pouco nos revelem quem somos, e qual nosso papel neste cosmos.




 
 
 

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